Com incertezas sobre NAFTA, México abre mercado ao arroz do Brasil

7 April 2017

O México recentemente abriu seu mercado de arroz para as importações brasileiras. A iniciativa surge em um contexto de incertezas quanto ao futuro do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês). O governo também considera importar milho do Brasil e da Argentina.

 

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Blairo Maggi, afirmou que o México abriu a oportunidade de negociação de 900 toneladas de arroz brasileiro. O Brasil já havia começado a negociar a ampliação do comércio bilateral de alimentos com o México em 2015, por meio de um acordo sobre a venda de arroz brasileiro e compra de feijão mexicano (ver Boletim de Notícias). Após dois anos de negociação, Blairo Maggi comemorou a decisão, que abre um mercado que “estava fechado há muito tempo”.

 

A notícia foi divulgada no encerramento da 23ª Reunião Ordinária do Conselho Agropecuário do Sul (CAS), em Buenos Aires (Argentina). Nessa mesma ocasião, comunicou-se que a maioria dos países que havia imposto restrições à importação da carne brasileira no contexto da Operação “Carne Fraca” já reabriu seus mercados.

 

Do lado mexicano, a abertura do mercado de arroz para as importações brasileiras foi objeto de dúvidas por anos, mas o movimento é apresentado como uma forma de diversificar as importações e diminuir a dependência do arroz proveniente dos Estados Unidos. Vale notar que, atualmente, o México importa cerca de 75% do arroz que consome.

 

Do lado brasileiro, a notícia foi particularmente bem recebida pelos produtores do Rio Grande do Sul, estado responsável por 85% da produção nacional de arroz. Como resultado do acordo, o Brasil pode suprir 20-30% do mercado consumidor do produto no México.

 

O secretário de Agricultura mexicano, José Calzada, declarou que o país também considera comprar milho brasileiro e argentino. Segundo Calzada, “Não sabemos o que os Estados Unidos vão propor e temos que nos antecipar para que, quando chegarmos a essa mesa de negociação, tenhamos a certeza de que partimos de uma posição forte”.

 

Em vista da oportunidade, os países sul-americanos estão oferecendo preços preferenciais ao governo mexicano para fazer frente às tarifas reduzidas dentro do NAFTA.

 

Segundo o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês), 28% de todas as exportações de milho daquele país são direcionadas ao México. A maior parte do arroz dos Estados Unidos é produzida no estado do Arizona. No que diz respeito ao milho, nos estados de Iowa, Minnesota e Illinois. A incerteza gerada pela renegociação no NAFTA tem repercutido negativamente entre os agricultores dessas regiões. Isso contrasta com o apoio dos produtores às promessas de menor regulamentação afetando o setor, particularmente após a nomeação de Scott Pruitt para a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, sigla em inglês).

 

Além do milho e do arroz, outros produtos são considerados sensíveis pelo México e poderiam ser afetados pela renegociação do NAFTA: soja, carne de porco, laticínios e trigo. Dentre esses produtos, o Brasil é um dos grandes candidatos para a venda de soja e carne de porco.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Agriculture.com. Mexico opens door to Brazil’s rice. (27/03/2017). Acesso em: 06/04/2017.

 

LSU AgCenter. Rice industry has mixed views of new government policies. (09/02/2017). Acesso em: 06/04/2017.

 

O Globo. México abre mercado para o arroz brasileiro, diz ministro. (05/04/2017). Acesso em: 06/04/2017.

 

Perfil. México estuda reemplazar el maíz “yanqui” por el argentino. (22/02/2017). Acesso em: 06/04/2017.

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