EUA: primeira usina de etanol a partir da cana-de açúcar utilizará método de produção brasileiro

2 February 2009

Os Estados Unidos da América podem ganhar sua primeira usina geradora de etanol a partir da cana de açúcar, o que representa uma inovação para a produção no país, que tem no milho a matéria-prima tradicional do biocombustível. O empreendimento instalado no Havaí é fruto do acordo entre a empresa Pacific West Energy LLC e a estatal de energia Kauai Island Utility Co-op. Segundo os termos do contrato, a usina de açúcar Gay & Robinson será adaptada para gerar 60 milhões de litros de etanol e 30 megawatts de energia elétrica por ano.
 
A forma de produção será baseada no modelo brasileiro, o qual trabalha com a geração concomitante de energia elétrica pela queima do bagaço, a princípio para suprir as necessidades da própria usina. De acordo com Dennis Esaki, presidente da Kauai Island Utility, o projeto estipula como meta que, em até 15 anos, ao menos metade da eletricidade necessária ao funcionamento interno seja provida por meio de fontes renováveis.
 
O excedente de energia elétrica será direcionado ao abastecimento da demanda de consumo da ilha. De acordo com o Departamento de Negócios, Desenvolvimento Econômico e Turismo, a geração de eletricidade prevista da usina poderia suprir até 35% da atual demanda energética do Estado.
 
William Maloney, presidente da Pacific West Energy, destacou a importância do fornecimento de energia para o Havaí. Como a ilha possui poucas fontes de energia renovável, a utilização de fontes alternativas sustentáveis colaboraria para reduzir o uso local de diesel, explicou o executivo.
 
Outra característica inspirada no método brasileiro consiste em manter a capacidade de fabricação flexível, de forma que a indústria volte-se ao açúcar ou ao etanol, conforme a variação da demanda e dos preços de mercado para cada produto. 
 
O projeto, que ainda se encontra em fase de implementação, deve contar com financiamento de investidores particulares, além de verbas do Departamento de Agricultura dos EUA, órgão cujas incumbências incluem o apoio a iniciativas voltadas para a geração de energia renovável. Maloney afirma que o custeio do empreendimento tem enfrentado dificuldades devido ao alto custo de importação do produto.
 
A fim de estimular a produção local de etanol, o governo havaiano determinou a mistura obrigatória à gasolina na proporção de 10%. Entretanto, apesar da disponibilidade de terras, até agora o plantio não se desenvolveu de forma significativa. Ademais, o poder público analisa a possibilidade de exigir que ao menos 20% da eletricidade utilizada nos prédios públicos seja proveniente de fontes renováveis.
 
Além do fornecimento de energia e da produção de etanol, outra expectativa em torno do empreendimento relaciona-se ao mercado de trabalho local: há previsão de que os 200 funcionários da usina de açúcar dispensados pela Gay & Robinson sejam absorvidos pelo novo projeto, que deve contratar outros 100 trabalhadores.
 
Redação Equipe Pontes.
 
Fontes consultadas:
 
União da Indústria de Cana-de-açúcar. Usina de cana-de-açúcar americana adota modelo de produção brasileiro. (16/01/2009). Disponível em: . Acesso em: 17 jan. 2009.

Biofuels Digest. Pacific West reaches power agreement with Kauai Island Utility Co-op, advancing planned sugarcane ethanol, power project. (29/12/2008). Disponível em: . Acesso em: 27 jan. 2009.

Biomass Magazine. Hawaii utility co-op to buy ethanol producer’s power. (30/12/2008). Disponível em: . Acesso em: 27 jan. 2009.
Hawaii Free Press. Ethanol plant plan advances: Kauai sugar mill would produce vehicle fuel, burn bagasse for power. (29/12/2008). Disponível em: . Acesso em: 27 jan. 2009.

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