Oposição à liberalização comercial ganha força nas eleições primárias estadunidenses

5 March 2016

Em 2016, a população dos Estados Unidos elegerá um novo presidente. Independentemente do nome escolhido, chamam a atenção as constantes críticas à política comercial atual tanto por parte de políticos pertencentes ao Partido Democrata quanto ao Partido Republicano. Dessa maneira, é possível que os últimos meses da administração de Barack Obama representem a última janela de oportunidade em anos para a assinatura de compromissos de abertura comercial por Washington.

 

Tradicionalmente ligado a sindicatos contrários à atual estratégia comercial estadunidense (ver Boletim de Notícias Pontes), o Partido Democrata tem, entre seus candidatos, dois opositores à Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês). Hillary Clinton, por exemplo, tem manifestado sua oposição a um acordo pelo qual trabalhou durante todo o seu período como secretária de Estado. Tal posicionamento foi colocado explicitamente no primeiro debate do Partido, realizado em outubro de 2015: nessa ocasião, Clinton declarou que, ao avaliar o conteúdo da TPP após a sua assinatura, o acordo não contribuirá para melhorar os salários dos trabalhadores estadunidenses.

 

A declaração de Hillary Clinton, entretanto, foi proferida no contexto de fortalecimento de seu principal concorrente, o senador Bernie Sanders. De fato, Sanders é um conhecido opositor da política comercial de Barack Obama, sob o argumento de que acordos como a TPP apenas aprofundam uma tendência já existente de enfraquecimento dos sindicatos estadunidenses e transferência de empregos para países com salários mais baixos. Em seus discursos, o senador recorrentemente se refere aos tratados preferenciais de comércio como instrumentos de interesse dos presidentes das grandes corporações.

 

Entre os principais candidatos do Partido Republicano – Donald Trump, Ted Cruz e Marco Rubio –, a tendência tem sido o endurecimento progressivo. Conhecido pelas declarações polêmicas, Trump tem adquirido destaque pelos constantes ataques à atual estratégia comercial adotada por Washington. Para o empresário, os Estados Unidos estão sendo "passados para trás" por seus principais sócios. Entre estes, Trump destaca o México, país que tem constituído o destino de inúmeras empresas após a assinatura do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, sigla em inglês). São notórias as menções específicas a organizações com planos de investir em território mexicano, assim como a ameaça de que, se eleito, tarifas de até 35% seriam impostas aos bens ali produzidos.

 

Trump também promete endurecer as relações com a China – país que, em sua opinião, é um "manipulador de taxas de câmbio". Em reação, seu concorrente Marco Rubio perguntou se Trump almejava dar início a uma guerra comercial com a China. Contudo, a aparente moderação no discurso de Rubio não esconde a intenção de rever a integração entre os mercados de ambos os Estados. Mais especificamente, Rubio não apenas cita o intervencionismo da China como um problema a ser equacionado, mas também afirma que muitas empresas do país expandiram seus negócios após violar regras multilaterais de propriedade intelectual. Embora sublinhe, com frequência, as vantagens do intercâmbio comercial com a China, Rubio chama a atenção por propor sanções a organizações que tenham desrespeitado as regras vigentes.

 

Nem mesmo Ted Cruz, historicamente favorável ao livre comércio, parece disposto a fazer concessões na área. Meses após assinar um artigo com o deputado Paul Ryan em defesa da concessão da Autoridade para Promoção Comercial (TPA, sigla em inglês) ao presidente Barack Obama (ver Boletim de Notícias Pontes), o senador pelo Texas mudou de opinião. Igualmente, seu anterior otimismo em relação à TPP deu lugar à crítica explícita ao acordo tão logo a campanha eleitoral teve início em Iowa, no final de 2015. Para Cruz, embora a abertura dos mercados ser um princípio fundamental entre os conservadores dos Estados Unidos, sua concretização depende de mudanças políticas em Washington que reduzam o poder dos grupos de interesse e dos defensores do "Estado máximo". Por exemplo, o candidato é um ferrenho opositor de instrumentos como o financiamento às exportações estadunidenses.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

CNN. Hillary Clinton comes out against TPP trade deal. (07/10/2016). Acesso em: 03 mar. 2016.

 

Forbes. What would a Trump presidency mean for China? (03/03/2016). Acesso em: 03 mar. 2016.

 

Politico. Sanders criticize Obama trade agenda. (03/03/2016). Acesso em: 03 mar. 2016.

 

The Independent. US elections: 9 things President Trump would do according to him. (03/03/2016). Acesso em: 03 mar. 2016.

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