Setor privado brasileiro debate oportunidades de comércio com Coreia do Sul, Japão e México

16 February 2017

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) lançou, em 2 de fevereiro de 2017, consultas públicas para mapear os interesses da indústria brasileira em novos acordos bilaterais do Mercado Comum do Sul (Mercosul) com o Japão e a Coreia do Sul. O principal objetivo do MDIC é observar o interesse do setor privado na abertura comercial do mercado brasileiro. Os possíveis acordos inserem-se no contexto de busca pela diversificação dos mercados dos produtos exportados pelo Brasil. Diante desse quadro, os desdobramentos da relação dos Estados Unidos com o México têm sido atentamente observados, pois lideranças do setor privado brasileiro identificam oportunidades para a expansão comercial no México.

 

Por meio da Circular 6/2017, o MDIC inaugurou um período de consultas de 60 dias para que o setor privado brasileiro apresente propostas de “oferta” de reduções nos impostos de importação do Mercosul à Coreia do Sul e ao Japão, bem como “pedidos” de redução de impostos de importação por parte desses países asiáticos. No que diz respeito à “oferta”, o setor privado brasileiro poderá expressar sua preferência quanto ao período de desgravação tarifária. As opções são: desgravação imediata, impossibilidade de concessão de preferência tarifária, ou desgravação total em quatro, oito, dez, doze ou quinze anos. No campo “pedidos”, associações ou entidades de classe podem indicar para quais produtos existe interesse na redução da alíquota do imposto de importação no país de destino.

 

O pedido de consultas foi aberto em um momento no qual as políticas do governo brasileiro têm sido orientadas à expansão e diversificação de mercados e produtos exportados. Exemplo disso é a retomada de frentes de negociação envolvendo o Mercosul e outros blocos econômicos: recentemente, o Brasil dialogou com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, sigla em inglês) e a União Europeia (UE).

 

Para o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, o contexto atual oferece “oportunidades para o Brasil” em termos comerciais (ver Boletim de Notícias). Representantes do setor privado têm se posicionado de modo similar e consideram que a ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos pode oferecer oportunidades de acesso a mercado até o momento restritas às exportações brasileiras – particularmente no que toca ao México.

 

De um lado, o presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) relativizou o possível impacto de Donald Trump sobre o comércio entre Estados Unidos e Brasil. De outro, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) afirmou que, caso haja uma mudança considerável nas relações entre México e Estados Unidos, a indústria brasileira pode abastecer o mercado mexicano com carros novos a preço competitivo. Trata-se, dessa forma, de uma oportunidade de acessar um mercado dominado pelo comércio intrabloco.

 

Os produtores de soja, carne bovina e carne suína do Brasil também veem oportunidades no comércio com o México, segundo o ministro da Agricultura do Brasil, Blairo Maggi. De fato, tanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) quanto a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC) mostraram otimismo frente às possibilidades de aproximação. Uma nova rodada de negociação comercial com o México está marcada para 20 de fevereiro.

 

Se o contexto atual pode gerar oportunidades para a expansão comercial, grupos empresariais não deixam de reconhecer que o momento exige cautela. O contexto político atual e seus desdobramentos para a governança e os fluxos de comércio podem impactar negativamente as exportações brasileiras, como apontado por um especialista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Exame. Políticas de Trump abrem portas para agronegócio do Brasil. (06/02/2017). Acesso em: 15/02/2017.

 

Folha de S. Paulo. Montadoras apostam em acordos e Trump para aumentar produção. (12/02/2017). Acesso em: 15/02/2017.

 

Forbes. Como o governo Trump pode influenciar a economia brasileira. (15/01/2017). Acesso em: 15/02/2017.

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