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REVISÃO DA MINUTA DO TEXTO DA DECLARAÇÃO DEVE SER
APRESENTADA HOJE
De acordo com o Presidente
da Conferência Ministerial, John Tsang, a primeira revisão
da minuta do texto da declaração de Hong Kong, esperada
para o meio-dia de sábado, não conterá quaisquer
surpresas,. Ele solicitou aos seis facilitadores para as diferentes questões
em discussão a entrega de suas minutas, baseadas nas contribuições
dos Membros, até às 6h.
No momento em que redigiam o texto, os Membros ainda escreviam e re-escreveiam
de forma exaltada propostas para a maioria das questões em discussão,
a fim de terminá-las a tempo de incluí-las na próxima
minuta do texto da declaração. Algumas fontes comentam que
as sessões do grupo de consulta do Presidente do Conselho Geral
(em outras palavras, o encontro de "sala verde") foram realizadas
sexta-feira à noite para discutir as idéias que os Membros
haviam sugerido. Entre elas incluíam-se, por exemplo, um texto
do Grupo dos Países da África, do Caribe e do Pacifico (ACP)
que propunha modificações à minuta do texto da Declaração
de forma a especificar que não deve haver nenhuma condição
para as verbas destinadas à assistência ao comércio.
O mesmo texto previa ainda uma nova linguagem para datas e referências
aos Países de Menor Desenvolvimento Relativo (PMDRs), anti-dumping
e solução de controvérsias.
Uma minuta provisória do texto da declaração referente
a agricultura sugere que os Ministros tomaram um caminho muito distinto
daquele presente no texto anterior à Hong Kong. A "hipótese
de trabalho" sobre as três faixas para classificação
dos subsídios domésticos que distorcem o comércio
internacional para efeitos de redução, por exemplo, foi
substituído por um texto que prevê a existência de
três faixas, com uma linguagem similar para a estruturação
de tarifas em quatro faixas para fins de reduções tarifárias.
Algumas fontes comentaram que as negociações, que avançaram
até tarde da noite, foram ásperas, e que as discordâncias
sobre a maior parte das questões persistiram, inclusive sobre o
prazo final para os subsídios às exportações
agrícolas. Isso ocorreu apesar das disposições, que
estavam presentes no texto da minuta relativo à agricultura, sobre
a criação de regras para programas de crédito à
exportação e para empresas públicas exportadoras,
bem como para a garantia de que a assistência alimentar não
levaria ao deslocamento comercial. Esses são aspectos centrais
das demandas da União Européia (UE) por "paralelismo"
no que se refere à eliminação de subsídios
à exportação. Durantes as primeiras horas do sábado,
apresentou-se aos Ministros uma minuta do texto sobre acesso a mercados
de produtos não-agrícolas (NAMA, sigla em inglês)
com a previsão em colchetes de que o nível de ambição
em NAMA seria proporcional ao de agricultura. Até o fechamento
desta edição, os Ministros apenas iniciavam o exame do texto.
O
"resumo da ópera" até sexta-feira
No encontro de sexta-feira
com os chefes de delegação, o Diretor-Geral da OMC, Pascal
Lamy, e o Presidente da Conferência Ministerial, John Tsang, relataram
o ocorrido nas consultas de "sala verde" da noite anterior,
indicando, em especial, o impasse sobre o prazo final para eliminação
das medidas de apoio à exportação. Eles declararam
que, em NAMA, não se verificou nenhuma cessão por parte
dos Membros nem foi possível encontrar novas soluções,
o que foi confirmado pelo facilitador Humayun Akhtar Khan, Ministro de
Comércio do Paquistão. O Diretor Geral Pascal Lamy e o Ministro
John Tsang sugeriram que podem ocorrer negociações futuras
a fim de conciliar as posições sobre algodão e sobre
acesso a mercados isentos de tarifas e de quotas para as exportações
dos PMDRs.
Agricultura
O facilitador das negociações
sobre agricultura, Ministro de Indústria e de Comércio do
Quênia, Mukhisa Kituyi, declarou aos chefes de delegação
que ele havia terminado suas consultas com diferentes grupos de Membros
da OMC. Ele exortou os ministros a redobrarem seus esforços com
relação ao algodão, em que um acordo parecia possível
- embora fosse improvável satisfazer as demandas dos produtores
da África Ocidental. Estes demandavam a total eliminação
dos subsídios à exportação por parte de todos
os países desenvolvidos até o final deste ano e das medidas
domésticas de distorção ao comércio internacional
até 2008.
Mukhisa Kituyi pediu maior ênfase na negociação sobre
os produtos especiais e o mecanismo especial de salvaguarda, dois instrumentos
de particular importância para o G-33. Este grupo, formado por países
em desenvolvimento (PEDs), deixou claro que nenhum "pacote do desenvolvimento"
seria completo sem nenhum tipo de entendimento sobre como tratar esses
assuntos. O facilitador também observou que nenhum progresso significativo
fora alcançado com relação ao modo de tratamento
dos efeitos da erosão de antigas preferências de acesso a
mercados, uma preocupação primordial para o grupo ACP.
Questões
relacionadas ao desenvolvimento
A grande esperança
da Ministerial de Hong Kong é a adoção, pelos Membros,
de um compromisso vinculante no que se refere a acesso a mercados isento
de tarifas e de quotas às exportações dos PMDRs.
O Ministro de Relações Exteriores da Guiana, Clement Rohee,
que conduz as negociações sobre esse assunto e outras questões
relacionadas ao desenvolvimento, mostrou-se otimista, ainda que forma
cuidadosa, em relação à possibilidade de se chegar
a um consenso sobre esta demanda dos PMDRs que vem de longa data. A versão
em negociação, no momento da redação deste
texto, prevê que os países desenvolvidos permitiriam aos
PMDRs, de forma duradoura, acesso a seus mercados isento de tarifas e
de quotas, embora possibilite a exclusão de uma porcetagem limita
de linhas tarifárias que ainda precisa ser negociada. Esta reserva
seria progressivamente reduzida, e já se sugere que o prazo final
para sua eliminação seria 2010.
Algumas fontes ligadas à negociação também
afirmaram que os Ministros começaram a discutir a possibilidade
de aumentar o número de países beneficiados de acordo com
o Quadro Integrado de Assistência Técnica relacionada ao
Comércio dos parágrafos 33 a 51. Tal aumento possibilitaria
a inclusão dos PEDs Membros da OMC que recebem Assistência
Oficial ao Desenvolvimento dentre os beneficados pelo acesso a mercados
isento de tarifas e de quotas.
Serviços
As
negociações sobre serviços permaneceram na linha
de frente das negociações nesta sexta-feira, uma vez que
Membros começaram a reagir ao documento circulado pelo G-90 na
noite anterior. Este documento, que propunha a suavização
da linguagem prescritiva e mandatória presente na versão
original do anexo sobre serviços da minuta da declaração
ministerial, não foi bem aceito pela UE e pelos EUA, que desejavam
o fortalecimento das disposições do anexo em vez de sua
suavização. A Venezuela, por sua vez, declarou que o anexo
original era absolutamente inaceitável como base para futuras liberalizações.
De acordo com o relatado, ao resumir os acontecimentos na reunião
aberta organizada na sexta-feira, Kim Hyum-Chong, Ministro de Comércio
da Coréia, declarou aos presentes que 15 delegações
haviam se manifestado a favor da revisão do texto, enquanto 26
desejam sua manutenção. Ele as encorajou a resolverem suas
diferenças entre si mesmas e as informou que continuaria suas consultas
com as delegações.
Relatou-se que os EUA e a UE apresentariam suas próprias propostas
na sexta-feira. Os EUA seriam a favor do fortalecimento dos alvos qualitativos
para os Modos 1 (prestação transfronteiriça) e 3
(presença comercial). A UE, por sua vez, teria como objetivo: cobertura
setorial mais ambiciosa (possivelmente no corpo da própria declaração),
compromissos mais significativos no Modo 3, negociações
plurilaterais sobre acesso a mercados e iniciativas de liberalização
setorial.
Kim Hyun-Chong deveria começar consultas com grupos pequenos na
noite da sexta-feira; não estava claro, contudo, se isso ocorreria
para dar mais tempo aos negocidores para redigir um novo texto em outras
áreas das negociações. Não obstante, algumas
fontes afirmam que um comitê formado por 15 Membros (dentre os quais,
EUA, UE, Malauí, Ruanda, Hong Kong e Chile) seria formado para
reescrever o Anexo C. Um negociador comentou que o texto original poderia
até mesmo vir a ser considerad como um meio-termo relativo, posto
que alguns Membros o consideraram muito débil, enquanto outros,
muito forte.
Declaração
conjunta do G-20 e do G-90
Na sexta-feira, os
Ministros que representam o G-20, o G-33, o Grupo ACP, o Grupo de PMDRs,
o Grupo Africano e as Economias Pequenas organizaram uma coletiva de imprensa
para proclamarem seu "interesse compartilhado na dimensão
de desenvolvimento da Rodada e as suas expectativas por um resultado abrangente
no que diz respeito aos temas de desenvolvimento."
Eles descreveram o recente encontro ministerial de coordenação
de todo grupo de PEDs na OMC como o primeiro em toda história da
instituição. Além disso, expressaram sua convicção
conjunta de que a "rodada deve resultar na remoção
das distorções que inibem o crescimento das exportações
dos PEDs e a garantia de margem adequada para políticas que assegurem
seu desenvolvimento socio-econômico sustentável".
Os objetivos comuns do grupo são: garantir a eliminação
dos subsídios às exportações agrícolas
até 2010; exercer pressão para que se adote a regra de acesso
a mercados isento de tarifas e de quotas às exportações
dos PMDRs; prestar auxílios a alguns PEDs que precisam passar por
ajustes em razão de erosões de preferências tarifárias;
e resolver o problema do algodão para outros. O Ministro das Relações
Exteriores do Brasil, Celso Amorim, também notou que, apesar da
diversidade de situações dos PEDs, eles encontravam-se unidos
em sua busca por uma rodada do desenvolvimento consiste com seus objetivos.
Os países, que alguns denomiram de G-110, também ressaltaram
a importância do tratamento especial e diferenciado e da proporcionalidade
para PEDs. Enfatizaram, ainda, que não se deveria pedir aos PEDs
que fizessem mais em NAMA do que os países desenvolvidos estavam
dispostos a fazer em agricultura.
Bananas
Honduras trouxe a
questão das bananas para a agenda da Conferência Ministerial
devido à frustração de ter sido excluída das
negociações referentes ao valor da nova tarifa sobre a importação
de bananas da União Européia (UE). Em 2 de dezembro, a UE
adotou uma tarifa de € 176 / t de banana, cuja entrada em vigor era
prevista para 1º de janeiro de 2006. Os produtores de banana da América
Latina imediatamente condenaram essa tarifa, por considerá-la muito
eleveada, o que se repetiu numa sessão plenária especial
da Conferência Ministerial de Hong Kong em 14 de dezembro. Na direção
oposta, o grupo ACP avisou, na sexta-feira, os Membros da OMC que iriam
bloquear o consenso sobre a declaração ministerial final
no domingo se seus acessos preferenciais ao mercado de bananas da UE não
fosse protegido para além de 2006.
Apesar de o Ministro de Relações Exteriores da Noruega,
Jonas Gahr Store, ter sido indicado como facilitador do conflito, nenhuma
negociação aconteceu até agora. Alguns observadores
consideram, contudo, que a questão ainda pode incendiar-se nas
horas finais do encontro.
Relação
entre a CDB e o TRIPS
Peru, Quênia
e Índia apresentaram propostas para uma minuta de texto sobre o
relacionamento entre o Acordo sobre Aspectos de Direitos de Propriedade
Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS, sigla em inglês)
e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).
O Peru simplesmente sugeriu a intensificação das negociações
sobre as propostas apresentadas anteriormente pelo grupo de PEDs liderados
por Índia, Brasil e Peru, em que se pedia aos requerentes de patentes
a divulgação da origem dos recursos genéticos e dos
conhecimentos tradicionais associados à invenção,
bem como o fornecimento de provas do consentimento prévio e da
distribuição de benefícios. O texto do Quênia
restringiria o trabalho sobre a relação TRIPS-CDB à
"divulgação, consentimento prévio e distribuição
de benefícios relacionados a invenções baseadas em
recursos biológicos/genéticos e/ou em conhecimentos tradicionais."
Este trabalho ser finalizado até 30 de Novembro de 2006. A proposta
mais extensa, apresentada pela Índia, demandaria que o Conselho
do TRIPS recomendasse uma emenda ao Acordo, de forma a tornar obrigatória
a divulgação da origem e a apresentação de
provas tanto de consentimento prévio quanto de distribuição
de benefícios. Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia
e Austrália resistiram fortemente a estas propostas.
Dada a falta de convergência, o facilitador, Ministro de Relações
Exteriores do Chile, Ignacio Walker, sugeriu a adoção do
texto de 7 de dezembro da minuta da declaração ministerial,
o qual apenas toma nota do trabalho desenvolvido sobre a relação
entre o TRIPS e a CDB de acordo com o Parágrafo 12(b) da Declaração
de Doha (sobre questões de implementação). A Índia
mostrou-se frustrada por não ter conseguido incluir o tema na declaração
ministerial - apesar da extensiva discussão sobre essas questões
no Conselho do TRIPS e da apresentação de minutas do texto
da declaração antes e ao longo da reunião de Hong
Kong.
Regras
e meio-ambiente
Com relação
ao texto sobre regras da OMC (para aprimorar a disciplina sobre antidumping,
subsídios e medidas de salvaguarda, inclusive subsídios
à pesca), os Membros parecem concordar, em termos gerais, em não
reabrir o texto da presente minuta da declaração. Por outro
lado, os Membros já começaram a redigir a minuta de um novo
texto sobre como deve se dar a liberalização do comércio
de bens e serviços ambientais.
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