Pontes QuinzenalVolume 1Número 15 • 9 de ago deo de 2006

CEPAL divulga relatório sobre economia da América Latina e do Caribe

A Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe (CEPAL) divulgou o Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2005-2006. O relatório apresenta números positivos sobre a economia da região e prevê a manutenção do cenário otimista para os próximos anos.

A boa performance econômica da região reflete-se nos números apresentados ao longo do relatório. De acordo com os dados apresentados, a região da América Latina e do Caribe cresceu 4,5%, em 2005 - percentual superior aos 3,5% da economia mundial, no mesmo ano. Trata-se do quarto ano consecutivo de crescimento econômico. Com efeito, as estatísticas da CEPAL apontam para uma expansão da atividade econômica em diversos setores - como mineração, transportes e telecomunicações. A tendência deve se manter, pois são previstas taxas de crescimento expressivas para 2006 (5%) e 2007 (4,3%).

Além disso, o ano de 2005 registrou um aumento de 0,5% no nível de emprego, o que elevou o percentual de ocupação da população economicamente ativa para 53,6% e fez a taxa de desemprego cair para 9,1%. Por fim, os investimentos diretos estrangeiros em países da região cresceram 9,7%, em relação a 2004, e atingiram, em 2005, US$ 47,8 bilhões - o que equivale a 2% do PIB regional.

Apesar dos bons números, no entanto, é de se destacar a queda na taxa de crescimento, em relação a 2004 - quando os países da região cresceram 5,9%. Além disso, verificou-se menor crescimento dos países da América Latina e Caribe em relação à media geral dos países em desenvolvimento, que cresceram 6,2%, em 2005.

No que se refere aos possíveis fatores para o bom desempenho da economia da região, além do cenário externo favorável caracterizado pelo aumento de liquidez nos mercados internacionais, o relatório indica os seguintes pontos: (i) aumento substancial das exportações; (ii) aumento dos preços dos produtos exportados; e (iii) redução da volatilidade externa e fiscal dos países da região.

Em relação ao primeiro fator, o estudo da CEPAL evidencia que as exportações da região cresceram cerca de 20%, em relação a 2004 - o que representa um superávit primário de US$ 80,6 bilhões. Este aumento se deveu, principalmente, ao aumento das exportações para países de fora da região, pois as regionais diminuíram, em relação a 2004. Nesse sentido, a Comunidade Andina exportou, em 2005, US$ 28,4 bilhões a mais que em 2004. Deste total, apenas 9,6% foram direcionadas para os países da região - em 2004, haviam alcançado os 10,5%. O fenômeno repete-se com relação ao Mercosul, pois, embora suas exportações totais tenham crescido 19,7%, em relação a 2004, as regionais foram pouco mais do que a metade daqueles de 1998. A única exceção, em termos de blocos regionais, é o Mercado Comum Centro Americano, cujas exportações regionais representaram 28,7% do total exportado, em 2005 - o maior percentual até hoje alcançado.

Quanto ao segundo fator, o relatório da CEPAL indica que, dos 20% de incremento nas exportações dos países latino-americanos e caribenhos, em 2005, 11,7% podem ser atribuídos ao aumento dos preços dos produtos exportados. Em números, isso representou um aumento de US$ 28,993 bilhões no superávit comercial da região.

No tocante ao terceiro fator, o relatório considera a redução da volatilidade externa e fiscal dos países da América Latina e Caribe como decorrente da melhoria nas contas correntes dos países da região e do saneamento das contas públicas. Assim, ao se compararem os dados de 2004 e 2005, percebe-se um aumento do superávit primário da região, que passou de 0,6% para 1,4% do PIB. Verifica-se também uma redução do déficit da balança corrente (a qual inclui os valores gastos com os juros da dívida pública), que passa a corresponder a 1,2% do PIB, em 2005, face ao 1,9% registrado no ano anterior. Por fim, foi observada uma diminuição da proporção entre dívida pública e PIB, que, em 2005, ficou em 48,6%, face aos 55,9% de 2004.

O estudo da CEPAL projeta, para o segundo semestre de 2006, um cenário de desaceleração da economia mundial, resultante do crescente déficit em conta corrente da balança de pagamentos dos Estados Unidos da América (EUA) e do aumento do preço do petróleo. Esses fatores poderiam levar ao aumento dos juros estadunidenses e à redução da demanda interna deste país. Apesar deste cenário, a CEPAL considera que o crescimento econômico apresentado pelos países da América Latina e do Caribe é sustentável e, nesse sentido, afirma que os países da região desenvolveram, ao longo dos últimos anos, as condições necessárias para se manterem imunes a uma possível recessão mundial.

Reportagem da Equipe Pontes

O relatório da CEPAL encontra-se disponível,, gratuitamente, em: http://www.eclac.cl/cgi-bin/getProd.asp?xml=/publicaciones/xml/5/26135/P26135.xml&xsl=/de/tpl/p9f.xsl&base=/brasil/tpl/top-bottom.xsl.