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OCDE
aponta para necessidade de parcerias na área ambiental
Quanto o tratamento dos principais problemas ambientais enfrentados
atualmente irá custar aos países? Como os Membros
da Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE) e outros Estados podem lidar
com os desafios relacionados às mudanças climáticas?
O estudo intitulado "OECD Environmental Outlook to 2030",
publicado em 5 de março pela Organização, busca
aprofundar essa problemática, re-inaugurando o debate ambiental
no âmbito das publicações da OCDE, cujo último
estudo nessa temática data de 2001.
A análise
foi estruturada em quatro seções principais: (i) diretrizes
das mudanças climáticas; (ii) impactos das mudanças
climáticas; (iii) desenvolvimentos e políticas setoriais;
e (iv) união de políticas. A argumentação
utiliza como fio condutor a construção de cenários
para 2030, como ilustração das conseqüências
de uma postura passiva dos governos face aos desafios ambientais.
Sob o argumento de que o tratamento dos problemas enfrentados na
atualidade é viável política e financeiramente,
o estudo apresenta sugestões de iniciativas de cooperação
entre os Membros da OCDE e o grupo de países BRIICS (sigla
em inglês para Brasil, Rússia, Índia, Indonésia,
China e África do Sul) com a finalidade de mitigar os problemas
ambientais.
Principais
desafios
De acordo com
o estudo, os países da OCDE têm sido bem sucedidos
em suas políticas de preservação de florestas,
controle de poluição das águas e do ar, redução
de emissão de clorofluorcarbonos (CFCs) e alocação
de dejetos.
No âmbito
global, contudo, diversas questões ainda são negligenciadas
ou estão em processo de degeneração. Para citar
alguns exemplos: (i) a emissão global de gases de efeito
estufa (GEEs); (ii) a perda gradual da diversidade de espécies;
(iii) a fragmentação dos ecossistemas; (iv) a devastação
das florestas tropicais; (v) a escassez de água; (vi) a preservação
dos lençóis freáticos; (vii) a qualidade do
ar urbano; e (viii) o alto índice de desperdício nos
países em desenvolvimento (PEDs).
A OCDE é
enfática ao declarar que "se nenhuma ação
política for tomada, corremos o risco de alterar, dentro
de algumas décadas, a base ambiental para a prosperidade
econômica sustentável". Assim, o custo da negligência
com relação ao meio-ambiente fará com que,
por volta de 2030, as emissões de GEEs aumentem em 37%. Além
disso, a produção de alimentos e de biocombustíveis
exigirá uma expansão em 10% das terras utilizadas
para cultivo. O relatório alerta que a perda contínua
da biodiversidade apresenta impacto direto sobre o equilíbrio
dos ecossistemas, os quais, por sua vez, deixarão de sustentar
o crescimento econômico para o bem-estar humano.
De acordo com
o estudo, os impactos serão mais sentidos nos PEDs, os quais
dispõem de poucos mecanismos de adaptação.
Contudo, os (significativos) custos da inação serão
sentidos mundialmente, o que aumenta a necessidade de ações
políticas em parceria. Logicamente, tais ações
seriam desenvolvidas nas esferas locais, nacionais, regionais e
globais.
Necessidade
de parceria
Tais desafios
podem ser superados por meio de parcerias entre os países
que compõem a OCDE e o grupo dos BRIICS, o que lhes custaria
cerca de 1% do PIB mundial em 2030. Em alguns casos, a formulação
de uma política favorável ao meio-ambiente pode gerar
co-benefícios, principalmente em termos de saúde.
O estudo sugere algumas linhas com base nas quais as políticas
poderiam ser formuladas.
No caso dos
problemas ambientais mais desafiadores e complexos, propõe-se
o emprego de políticas complementares, com ênfase em
taxas e outros instrumentos relacionados ao comércio, com
o objetivo de reduzir os custos.
Em segundo lugar,
deve-se priorizar políticas direcionadas aos setores mais
envolvidos na degradação do meio-ambiente, tais como
energia, transporte, agricultura e pesca. Para que gere resultados,
essa tarefa não deve se restringir aos ministros do meio
ambiente, mas sim partir de uma ação integrada dos
ministérios de finanças, economia e comércio,
por exemplo.
Terceiro, as
empresas e indústrias devem desempenhar um papel de destaque.
Ao mesmo tempo, cabe ao governo a formulação de marcos
regulatórios duradouros relativos ao meio-ambiente, voltados
para a criação de incentivos à chamada "eco-inovação"
e o resguardo de metas sócio-ambientais. A responsabilidade
do governo de canalizar as ações ambientais tanto
de empresários como de consumidores parte do pressuposto
de que as opções de investimento de hoje determinarão
os resultados ambientais futuros.
A definição
de linhas de cooperação entre países da OCDE
e PEDs na temática ambiental auxiliará a difusão
do conhecimento, da tecnologia e das experiências no tratamento
desses problemas. Mais precisamente, o estudo chama os países
que compõem o grupo dos BRIICS a participar com maior ativismo
nos processos de formulação de políticas voltadas
aos principais desafios ambientais, haja visto o crescente papel
que têm desempenhado na economia mundial, bem como os impactos
ambientais que seu crescimento vêm gerando.
Um dos pontos
nevrálgicos defendidos no estudo diz respeito ao papel que
a liberalização do comércio e de investimentos
pode desempenhar na alocação mais eficiente de recursos
no âmbito global. Isso porque a liberalização
acirraria a concorrência e motivaria as empresas a adaptarem-se
e a inovarem. O estudo atenta para o fato de que esse movimento
já está em curso: líderes de alguns setores
já avançam nesse sentido, como resposta às
demandas dos consumidores por produtos e inovação
"verdes". Segundo a OCDE, é preciso difundir a
percepção de que a "eco-inovação"
e o emprego ampliado de técnicas favoráveis ao meio-ambiente
não somente beneficiam a performance ambiental, como também
contribuem para o aumento da produtividade.
Reportagem Equipe
Pontes
Fontes consultadas:
OCDE. OECD Environmental
Outlook to 2030 (05/03/2008). Disponível em: <http://www.oecd.org/dataoecd/29/33/40200582.pdf>.
Acesso em: 13 mar. 2008.
OCDE. "2008
OECD Environmental Outlook - How much will it cost to address today's
key environmental problems?" (05 mar. 2008). Disponível
em: <http://www.oecd.org/documentprint/0,3455,en_2649_201185_40221270_1_1_1_1,00.html>.
Acesso em: 13 mar. 2008.
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