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Volume 3 Número 5 18 de março de 2008

O trabalho feminino na América Latina e no mundo



A entrada das mulheres latino-americanas no mercado de trabalho fez-se sentir com intensidade na última década. Porém, o reflexo de sua maior participação em melhores condições de trabalho não é comprovado. A situação do emprego feminino na América Latina, assim como o panorama mundial desse quadro, foram abordados no relatório Tendências Mundiais do Emprego das Mulheres, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho da América Latina e do Caribe, de 47,9% para 52,9%, foi o segundo mais alto do mundo, atrás apenas do Oriente Médio. A redução da disparidade de gênero entre as pessoas economicamente ativas é significativa, considerando o número de 67 mulheres para cada 100 homens, em 2007.

A relação população-emprego para as mulheres da região também registrou aumento de 5 pontos percentuais, passando de 42,1% em 1997 para 47,1% em 2007. A taxa de desemprego entre as mulheres, de 10,9%, ainda é muito superior do que a verificada entre os homens, 6,9%. Essa discrepância é uma das mais altas, atrás apenas do Oriente Médio e da África do Norte.

O comportamento do emprego feminino na América Latina e no Caribe possui um forte componente setorial, em comparação com as outras regiões do globo. O setor agrícola é o menos relevante como provedor de empregos para as mulheres: a presença feminina no setor, de 10,7%, é muito menor que a dos homens, de 24,7%. Tal diferença é a maior entre todas as regiões. A grande maioria das mulheres trabalha no setor de serviços, no qual a proporção é de 74,8% de mulheres, atrás apenas do recorte feito sobre as economias industrializadas e a União Européia (UE).

A proporção de pessoas empregadas em condições vulneráveis na América Latina e no Caribe aumentou de 31,4% para 33,2% entre 1997 e 2007, para ambos os sexos. Apesar do aumento ter sido maior entre as mulheres, a proporção de homens engajados em empregos vulneráveis ainda é maior - 33,5%, contra 32,7%.

O aumento nessa proporção demonstra que o incremento de postos no setor de serviços pode ser gerado por mais empregos vulneráveis, já que esse foi o setor que observou maior crescimento. Como um quarto das mulheres economicamente ativas da região trabalha por conta própria, é provável que ofereçam serviços informais e, dessa forma, estejam mais vulneráveis a variações de mercado. É preocupante notar que o trabalho remunerado e assalariado, que representa 64,6% para as mulheres e 60,6% para os homens, seja uma parcela menor do que há dez anos e que a diminuição foi maior para as mulheres.

A disparidade de acesso ao trabalho entre homens e mulheres tem diminuído na América Latina e no Caribe. Contudo, as mulheres continuam com altas taxas de desemprego e de empregos vulneráveis em serviços de baixa produtividade. Tanto a criação de mais empregos quanto a melhoria das condições de trabalho são apontadas como medidas necessárias para a expansão das perspectivas das mulheres no mercado de trabalho da região.

As mulheres no mercado de trabalho mundial

O relatório também traça um panorama mundial do trabalho feminino. Em todo o mundo, 1,2 milhão de mulheres trabalharam em 2007, o que representa um aumento de 18,4% em relação aos últimos dez anos. Durante o mesmo período, também aumentou o número de mulheres desempregadas: 6,4%, taxa superior à masculina, de 5,7%.

Apesar do incremento no nível de educação das mulheres trabalhadoras em todo o mundo, elas continuam atuando, de modo geral, em setores menos produtivos da economia e continuam a ser parte do grupo mais exposto a riscos e com menor oportunidade de cumprimento dos requisitos de trabalho decente. Como conseqüência do tipo de trabalho disponível para as mulheres, elas freqüentemente apresentam remunerações mais baixas que os homens.

Destacam-se alguns dados do relatório em relação ao trabalho feminino em todo o mundo: (i) de todas as pessoas empregadas no mundo, 40% são mulheres, proporção que se mantém inalterada durante a última década; (ii) a proporção de mulheres em idade de trabalho empregadas foi de 49,1% em 2007, ao passo que para os homens, a relação foi de 74,3%; (iii) entre os jovens, a diferença na taxa de desemprego é menos significativa: 12,5% para as mulheres e 12,2% entre os homens; (iv) até dez anos atrás a agricultura era o principal provedor de empregos para as mulheres, situação que hoje foi invertida para o setor de serviços (36,1% e 46,3% em 2007, respectivamente).

Nas regiões mais pobres, é maior a possibilidade das mulheres desempenharem funções como trabalhadoras auxiliares na família ou por conta própria. Estas duas categorias formam o grupo definido como "emprego vulnerável". A transição desse grupo para o de emprego remunerado e assalariado representa um passo importante para a independência econômica de muitas mulheres. Tendo em vista essa realidade, os dados mostram avanços, uma vez que a proporção de mulheres com trabalho remunerado tem aumentado nos últimos dez anos, saltando de 41,8% em 1997 para 46,4% em 2007. Todavia, a taxa de mulheres que trabalham em empregos vulneráveis continua maior que a dos homens.

O relatório ressalta a necessidade de promover o trabalho decente como a única maneira de encontrar uma fórmula sustentável para superar a pobreza. Essa preocupação foi refletida na inclusão de uma nova meta nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, relativa ao emprego pleno e produtivo e ao trabalho decente para todos. O acesso a mercados de trabalho para as mulheres, e mais especificamente a empregos decentes, é essencial para lograr maior igualdade entre os gêneros.

Da análise conjunta dos quatro indicadores utilizados - emprego, desemprego, situação no emprego e emprego por setor - é possível deduzir que as políticas desenhadas para melhorar as oportunidades de trabalho das mulheres começam a produzir resultados, porém a disparidade ainda diminui lentamente. A integração econômica das mulheres só poderá ser alcançada por meio da diminuição das barreiras de mercado e de iguais oportunidades ao trabalho decente. Esse permanece um desafio para atingir o desenvolvimento econômico, e constitui, por si só, uma meta relevante.

Reportagem Equipe Pontes

Fontes consultadas:

OIT. Tendências Mundiais do Emprego das Mulheres. Disponível em:
<http://www.ilo.org/global/About_the_ILO/Media_and_public_information/Press_releases/lang--es/WCMS_091104/index.htm>. Acesso em: 13 mar. 2008.


                                                                                                               
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