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O
trabalho feminino na América Latina e no mundo
A entrada das mulheres latino-americanas no mercado de trabalho
fez-se sentir com intensidade na última década. Porém,
o reflexo de sua maior participação em melhores condições
de trabalho não é comprovado. A situação
do emprego feminino na América Latina, assim como o panorama
mundial desse quadro, foram abordados no relatório Tendências
Mundiais do Emprego das Mulheres, elaborado pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
O aumento da
participação das mulheres no mercado de trabalho da
América Latina e do Caribe, de 47,9% para 52,9%, foi o segundo
mais alto do mundo, atrás apenas do Oriente Médio.
A redução da disparidade de gênero entre as
pessoas economicamente ativas é significativa, considerando
o número de 67 mulheres para cada 100 homens, em 2007.
A relação
população-emprego para as mulheres da região
também registrou aumento de 5 pontos percentuais, passando
de 42,1% em 1997 para 47,1% em 2007. A taxa de desemprego entre
as mulheres, de 10,9%, ainda é muito superior do que a verificada
entre os homens, 6,9%. Essa discrepância é uma das
mais altas, atrás apenas do Oriente Médio e da África
do Norte.
O comportamento
do emprego feminino na América Latina e no Caribe possui
um forte componente setorial, em comparação com as
outras regiões do globo. O setor agrícola é
o menos relevante como provedor de empregos para as mulheres: a
presença feminina no setor, de 10,7%, é muito menor
que a dos homens, de 24,7%. Tal diferença é a maior
entre todas as regiões. A grande maioria das mulheres trabalha
no setor de serviços, no qual a proporção é
de 74,8% de mulheres, atrás apenas do recorte feito sobre
as economias industrializadas e a União Européia (UE).
A proporção
de pessoas empregadas em condições vulneráveis
na América Latina e no Caribe aumentou de 31,4% para 33,2%
entre 1997 e 2007, para ambos os sexos. Apesar do aumento ter sido
maior entre as mulheres, a proporção de homens engajados
em empregos vulneráveis ainda é maior - 33,5%, contra
32,7%.
O aumento nessa
proporção demonstra que o incremento de postos no
setor de serviços pode ser gerado por mais empregos vulneráveis,
já que esse foi o setor que observou maior crescimento. Como
um quarto das mulheres economicamente ativas da região trabalha
por conta própria, é provável que ofereçam
serviços informais e, dessa forma, estejam mais vulneráveis
a variações de mercado. É preocupante notar
que o trabalho remunerado e assalariado, que representa 64,6% para
as mulheres e 60,6% para os homens, seja uma parcela menor do que
há dez anos e que a diminuição foi maior para
as mulheres.
A disparidade
de acesso ao trabalho entre homens e mulheres tem diminuído
na América Latina e no Caribe. Contudo, as mulheres continuam
com altas taxas de desemprego e de empregos vulneráveis em
serviços de baixa produtividade. Tanto a criação
de mais empregos quanto a melhoria das condições de
trabalho são apontadas como medidas necessárias para
a expansão das perspectivas das mulheres no mercado de trabalho
da região.
As mulheres
no mercado de trabalho mundial
O relatório
também traça um panorama mundial do trabalho feminino.
Em todo o mundo, 1,2 milhão de mulheres trabalharam em 2007,
o que representa um aumento de 18,4% em relação aos
últimos dez anos. Durante o mesmo período, também
aumentou o número de mulheres desempregadas: 6,4%, taxa superior
à masculina, de 5,7%.
Apesar do incremento
no nível de educação das mulheres trabalhadoras
em todo o mundo, elas continuam atuando, de modo geral, em setores
menos produtivos da economia e continuam a ser parte do grupo mais
exposto a riscos e com menor oportunidade de cumprimento dos requisitos
de trabalho decente. Como conseqüência do tipo de trabalho
disponível para as mulheres, elas freqüentemente apresentam
remunerações mais baixas que os homens.
Destacam-se
alguns dados do relatório em relação ao trabalho
feminino em todo o mundo: (i) de todas as pessoas empregadas no
mundo, 40% são mulheres, proporção que se mantém
inalterada durante a última década; (ii) a proporção
de mulheres em idade de trabalho empregadas foi de 49,1% em 2007,
ao passo que para os homens, a relação foi de 74,3%;
(iii) entre os jovens, a diferença na taxa de desemprego
é menos significativa: 12,5% para as mulheres e 12,2% entre
os homens; (iv) até dez anos atrás a agricultura era
o principal provedor de empregos para as mulheres, situação
que hoje foi invertida para o setor de serviços (36,1% e
46,3% em 2007, respectivamente).
Nas regiões
mais pobres, é maior a possibilidade das mulheres desempenharem
funções como trabalhadoras auxiliares na família
ou por conta própria. Estas duas categorias formam o grupo
definido como "emprego vulnerável". A transição
desse grupo para o de emprego remunerado e assalariado representa
um passo importante para a independência econômica de
muitas mulheres. Tendo em vista essa realidade, os dados mostram
avanços, uma vez que a proporção de mulheres
com trabalho remunerado tem aumentado nos últimos dez anos,
saltando de 41,8% em 1997 para 46,4% em 2007. Todavia, a taxa de
mulheres que trabalham em empregos vulneráveis continua maior
que a dos homens.
O relatório
ressalta a necessidade de promover o trabalho decente como a única
maneira de encontrar uma fórmula sustentável para
superar a pobreza. Essa preocupação foi refletida
na inclusão de uma nova meta nos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio, relativa ao emprego pleno e produtivo e ao trabalho
decente para todos. O acesso a mercados de trabalho para as mulheres,
e mais especificamente a empregos decentes, é essencial para
lograr maior igualdade entre os gêneros.
Da análise
conjunta dos quatro indicadores utilizados - emprego, desemprego,
situação no emprego e emprego por setor - é
possível deduzir que as políticas desenhadas para
melhorar as oportunidades de trabalho das mulheres começam
a produzir resultados, porém a disparidade ainda diminui
lentamente. A integração econômica das mulheres
só poderá ser alcançada por meio da diminuição
das barreiras de mercado e de iguais oportunidades ao trabalho decente.
Esse permanece um desafio para atingir o desenvolvimento econômico,
e constitui, por si só, uma meta relevante.
Reportagem Equipe
Pontes
Fontes consultadas:
OIT. Tendências
Mundiais do Emprego das Mulheres. Disponível em:
<http://www.ilo.org/global/About_the_ILO/Media_and_public_information/Press_releases/lang--es/WCMS_091104/index.htm>.
Acesso em: 13 mar. 2008.
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