|
Acordo
entre Colômbia e EUA paralisado indefinidamente no Congresso
estadunidense
A Câmara de Representantes dos Estados Unidos da América
(EUA) - de maioria democrata - aprovou por 224 votos a favor e 195
contra uma resolução que elimina o prazo de 90 dias
legislativos para a votação do Acordo de Promoção
Comercial (APC) com a Colômbia - ainda que este tenha sido
submetido à Câmara pelo Presidente Bush em 8 de abril.
Antes de o APC
ser submetido ao Congresso, a Administração Bush havia
feito um forte lobby frente à oposição democrata
para conseguir a aprovação do texto. Ao perceber que
isso não seria possível, o Presidente Bush tentou
forçar a votação e impor um prazo limite para
testar se os democratas assumiriam o custo político de recusar
o APC. A decisão - adotada segundo a iniciativa de Nancy
Pelosi, Presidenta da Câmara - implicou a modificação
das regras do Fast Track, que obriga o Legislativo a votar
os tratados submetidos pela Administração em até
90 dias após sua apresentação. Dessa forma,
não há mais um prazo final para a decisão do
APC e, portanto, o objetivo do Presidente Bush não foi alcançado.
Por conseguinte,
a votação foi postergada indefinidamente, mas isso
não significa a exclusão do tratado. A Câmara
de Representantes examinará o APC "no tempo apropriado
e sob as condições apropriadas", afirmou a legisladora
Louise Slaughter, Presidenta do Comitê de Regras.
Para o Presidente
Bush, a ação desafortunada e sem precedentes da Câmara
de Representantes de mudar as regras de implementação
do acordo de livre comércio com a Colômbia prejudica
a economia, a segurança e as relações estadunidenses
com um importante aliado. Em um comunicado de imprensa, Bush também
afirmou que essa conduta enfraquece a confiança que qualquer
governo exige para negociar futuramente acordos comerciais.
Os democratas
alertaram Bush para que não enviasse o acordo, pois a maioria
opositora não estaria disposta a aprová-lo antes de
a Colômbia mostrar sinais de progresso em matéria de
proteção sindical. Na verdade, o voto não tem
somente a ver com esse tema, mas também com as lutas de poder
entre uma administração enfraquecida e os democratas
que, utilizando o APC como prêmio, estariam lutando para conseguir
concessões de Bush para sua própria agenda política.
Segundo Pelosi,
o APC pode ser aprovado neste ano, desde que a Casa Branca considere
as prioridades dos democratas em matéria de economia. Pelosi
mencionou um pacote de amortização econômica
que inclui assistência para os trabalhadores deslocados pelos
tratados de livre comércio; subsídios para evitar
quebras hipotecárias a famílias de baixa e média
renda; e até investimentos em infra-estrutura e novas energias.
"Quando essas preocupações tiverem sido solucionadas,
poderemos fazer uma votação para esse acordo... A
Colômbia é um país amigo, uma relação
importante e respeitamos a liderança do Presidente Uribe,
mesmo que tenhamos preocupações que podem ser trabalhadas",
afirmou Pelosi.
A Colômbia
não desiste
Apesar do anterior,
o Ministro de Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia,
Luis Guillermo Plata, afirmou que tem "esperança de
que o APC seja votado em favor do país. Nancy Pelosi afirmou
que não queria ser pressionada por um relógio e por
essa razão parou a contagem do tempo. Isso não quer
dizer que o acordo tenha sido congelado; mas poderá ser aprovado
em qualquer dia dentro desse prazo". Diante dessa situação,
o Ministro assegurou que continuará trabalhando diplomaticamente
e espera que a Casa Branca e o Congresso consigam uma "saída
bi-partidarista" que permita a aprovação do acordo.
Muitos crêem
que os democratas não querem decidir sobre o tratado antes
das eleições estadunidenses em 4 de novembro próximo,
e por essa razão o prazo de votação foi estendido.
Dessa forma, uma vez superadas as pressões eleitorais e assim
que houver um avanço nas questões sindicais na Colômbia,
os democratas considerarão a questão em sessões
extraordinárias. Provavelmente será uma votação
muito acirrada, tal qual a votação do APC com a América
Central e a Republica Dominicana.
Existe, entretanto,
uma grande probabilidade de que não haja sessões extraordinárias
neste ano. Se isto for verdade, o tratado teria que ser apresentado
pelo Presidente eleito ao novo Congresso. Nesse caso, o futuro do
APC dependeria do ganhador das eleições presidenciais
e de como ficará a distribuição de poder entre
republicanos e democratas no Congresso.
Tradução
de artigo originalmente publicado em Puentes Quincenal, Vol.
V, No. 8, 22 abr. 2008.
|