Brasil e Argentina renovam acordo automotivo por um ano

14 June 2014

Brasil e Argentina prorrogaram, por um ano (1º de julho de 2014 a 30 de junho de 2015), o Acordo sobre a Política Automotiva Comum e estabeleceram as bases para a discussão de um regime com duração de cinco anos, que deve substituir o Acordo que acaba de ser renovado. Com isso, os dois países restabelecem o sistema flex: para cada US$ 1 em produtos automobilísticos exportados da Argentina para o Brasil, o setor automotivo brasileiro poderá vender aos argentinos o equivalente a US$ 1,50 com alíquota zero de importação. Acima dessa proporção, a operação é taxada em 35%.

 

O documento foi assinado em 11 de maio, em Buenos Aires (Argentina), entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, e os ministros da Economia, Alex Kicillof, e da Indústria, Débora Giorgi.

 

De acordo com o jornal argentino La Nación, os dois governos somente alcançaram um consenso para estender o regime automotivo por um ano porque Buenos Aires identificou, no arranjo, a possibilidade de equilibrar sua balança comercial com o Brasil. Em 2013, o comércio de veículos e autopeças foi negativo para a Argentina em US$ 1,581 bilhão, comparado com um déficit de US$ 913 milhões em 2012.

 

Os dois lados comemoraram o acordo e ressaltaram os benefícios mútuos que decorrerão do Acordo: “[o] que importa é o volume de comércio. E o flex acertado favorece o pleno fluxo de comércio entre os dois países”, afirmou Mauro Borges. Para Axel Kicillof, "o acordo é importante para a integração entre os dois países, tanto no consumo quanto na produção".

 

Para elevar o conteúdo regional no setor automotivo, as medidas acertadas devem modificar as regras de origem e criar normas técnicas comuns para autopeças, além de elevar os níveis de segurança dos veículos produzidos nos dois países. O objetivo é elevar a competitividade regional e ampliar o acesso dos produtos do bloco a terceiros mercados.

 

Débora Giorgi lembrou que, em 2013, Brasil e Argentina importaram US$ 33,7 bilhões em automóveis e autopeças que não pertencem a países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e defendeu “um corte” nessas compras. Sob o atual Acordo, um comitê automotivo cuidará das negociações comerciais com terceiros países e outros blocos comerciais, bem como da definição de “diretrizes” para um novo regime do Mercosul.

 

Empresários do setor automotivo dos dois países, que fizeram parte das negociações, firmaram um acordo de “autolimitação” para que a participação dos veículos argentinos no mercado brasileiro seja de ao menos 11%, enquanto que as empresas brasileiras se comprometeram a manter sua fatia de vendas ao país vizinho em 44%. Em 2013, a participação argentina no mercado automotivo brasileiro foi de pouco mais de 9%.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Ambito.com. Argentina y Brasil renovaron acuerdo para el sector automotriz. (11/06/2014). Acesso em: 12 jun. 2014.

 

Exame.com. Brasil e Argentina renovam acordo automotivo. (11/06/2014). Acesso em: 12 jun. 2014.

 

Folha de S. Paulo. Brasil faz acordo comércio de veículos com a Argentina. (11/06/2014). Acesso em: 12 jun. 2014.

 

La Nación. Argentina y Brasil extendieron por un año el acuerdo automotor. (11/06/2014). Acesso em: 12 jun. 20114.

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