Brasil e China assinam acordos para investimentos em energia e infraestrutura

27 May 2015

Brasil e China assinaram 35 acordos que reforçaram significativamente a cooperação bilateral. Os acordos tratam especialmente da facilitação de investimentos chineses no país, que devem representar uma injeção de US$ 50 bilhões na economia brasileira. Agricultura, energia e infraestrutura foram os principais setores contemplados. A assinatura dos acordos ocorreu em 19 de maio, por ocasião da visita ao Brasil do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

 

O setor agropecuário brasileiro foi contemplado com a oficialização do fim do embargo chinês à carne bovina nacional. Além disso, o órgão de inspeção sanitária da China anunciou que habilitará a exportação de 26 frigoríficos brasileiros até junho de 2015. A medida pode significar aproximadamente US$ 520 milhões em vendas de carne bovina e de aves para o parceiro asiático. As autoridades também firmaram o Acordo de Cooperação em Saúde Animal e Quarentena, cujo objetivo será o intercâmbio de informações com vistas à prevenção da disseminação de doenças animais.

 

Pelo setor energético, um acordo envolvendo três grandes bancos públicos chineses resultou em uma linha de US$ 10 bilhões em crédito para a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras). Os recursos serão direcionados principalmente ao desenvolvimento do Pré-Sal, que já conta com uma participação significativa de companhias chinesas. Além da cadeia de óleo e gás, a China será o principal parceiro na construção de uma linha de transmissão de energia elétrica entre a usina de Belo Monte (Pará) e o estado de Minas Gerais.

 

Em infraestrutura, o principal acordo abrange a construção de uma ferrovia que deve ligar o porto de Ilo, Sul do Peru, à região de Campo dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro. O custo estimado da obra é de US$ 10 bilhões e terá 4.400 quilômetros de extensão em território brasileiro. A assinatura do protocolo também envolveu representantes do governo peruano.

 

O teor dos acordos assinados em Brasília nessa última semana não difere substancialmente do convênio de cooperação econômica firmado entre Argentina e China em 2014. Dessa forma, enquanto persiste a paralisia institucional do Mercado Comum do Sul (Mercosul), seus principais membros parecem identificar na China uma alternativa para suas ambições comerciais e econômicas.

 

Além desses 35 acordos, o Brasil também aderiu à fundação do Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB, sigla em inglês) no último mês de abril. Ademais, para além do gigante asiático, recentemente o país também registrou avanços na cooperação econômica com Estados Unidos, México e Peru.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

MAPA. Kátia Abreu discute novos acordos de cooperação com ministro chinês. (19/05/2015). Acesso em: 25 mai. 2015.

 

The Guardian. China and Brazil confirm trade and investment deals worth billions. (19/05/2015). Acesso em: 25 mai. 2015.

 

Valor Econômico. Brasil e China fecham 35 acordos, com ênfase em infraestrutura. (20/05/2015). Acesso em: 25 mai. 2015.

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