CNI analisa desafios e oportunidades nas negociações comerciais com EFTA

14 June 2017

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou recentemente uma análise do comércio entre o Brasil e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, sigla em inglês). O documento também discute desafios e perspectivas para a negociação de um acordo entre a EFTA e o Mercado Comum do Sul (Mercosul). Apesar de pouco relevante em termos de bens, o comércio entre Brasil e EFTA é mais expressivo na área de serviços. A CNI identifica oportunidades em especial no comércio de produtos industrializados com a Suíça, mas também destaca as dificuldades para avançar nos temas de agricultura e serviços.

 

Embora o diálogo entre Mercosul e EFTA (formado por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) tenha começado em 2000, o bloco europeu entrou com mais força no radar da diplomacia brasileira em 2015, após consulta pública do governo. Em janeiro de 2017, Mercosul e EFTA concluíram negociações preliminares para um acordo de livre comércio e iniciaram negociações formais em junho.

 

Em termos de importação e exportação de bens, EFTA e Brasil são parceiros comerciais pouco significativos. Em 2016, as exportações do Brasil para o bloco corresponderam a apenas 1,3% do total das exportações brasileiras. Dentre os produtos nacionais que mais chegaram aos portos dos países da EFTA, destacam-se embarcações e estruturas flutuantes; produtos químicos inorgânicos; e pedras preciosas.

 

Em termos de comércio de serviços, a relevância do comércio com a EFTA é mais expressiva: as exportações brasileiras atualmente representam 5,8% de suas vendas externas. O principal serviço vendido pelo Brasil corresponde ao setor de apoio aos transportes.

 

Segundo o documento da CNI, a EFTA não apresenta um modelo rígido de acordo comercial, o que confere flexibilidade para negociar de acordo com as necessidades do bloco. De um ponto de vista político, essa característica pode ser usada a favor do Brasil e do Mercosul, potencialmente conferindo maior espaço para barganhas.

 

De outro lado, a EFTA tem um posicionamento bastante conservador em relação a tarifas preferenciais no setor agrícola. Nesse setor, a Confederação espera negociações árduas, aconselhando que o Brasil e o Mercosul busquem pelo menos o mesmo nível tarifário obtido por seus competidores frente à EFTA. Da mesma forma, esperam-se ganhos limitados no setor de serviços, uma vez que o bloco tende a replicar suas obrigações no Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços (GATS, sigla em inglês).

 

O bloco europeu usualmente oferece eliminação imediata de tarifas de importação de produtos industriais. Em vista disso, um acordo poderia beneficiar particularmente os produtos industriais brasileiros exportados para a Suíça, onde há picos tarifários sobre produtos manufaturados.

 

Espera-se que um acordo entre o Mercosul e o bloco europeu possa contribuir para a transferência de tecnologia, parcela importante das importações advindas particularmente da Noruega e da Suíça(ver Boletim de Notícias Pontes). Alguns analistas também consideram que um acordo com a EFTA pode contribuir para reduzir as pretensões da União Europeia (UE) frente ao Mercosul, estimulando negociações mais rápidas entre o bloco sul-americano e a UE.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Exame.com. Mercosul e EFTA iniciarão negociações comerciais em junho. (17/02/2017). Acesso em: 13/06/2017.

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