Facilitar para desenvolver?

31 May 2018

Debates sobre os desafios enfrentados pela economia do Brasil costumam citar a limitada participação do país nos fluxos internacionais de comércio. Tendo em vista a trajetória de economias mais pujantes, argumenta-se que o desenvolvimento exige uma maior abertura ao intercâmbio de bens e serviços. Por que, então, tantos Estados ainda optam por criar barreiras artificiais que impedem uma maior integração ao mercado global? Seria tal realidade um reflexo exclusivo da ação de grupos de interesse com vocação rentista?

 

É provável: as estratégias de setores com uma orientação defensiva explicam parte importante desse enredo. No entanto, não deveríamos falar apenas do temor à “invasão” de produtos vindos do exterior. O medo à exposição ao mercado global também decorre das oportunidades – e riscos – que revela. Mais especificamente, a abertura comercial implica um impulso para que as empresas de um país busquem formas mais eficientes de produzir. Não raramente, tal incentivo leva à reconfiguração de cadeias de suprimento, com a realização de investimentos em outras sociedades e a transferência de recursos e conhecimento entre fronteiras.

 

Nesse sentido, os temores não são exclusividade de setores com uma orientação defensiva. Mesmo aquelas empresas altamente competitivas sabem que mudanças na estrutura institucional da produção exigem um arcabouço que as sustentem. Assim, a limitada participação do Brasil – e de outros países em desenvolvimento – nos fluxos internacionais de comércio também resulta da lentidão do governo em prover as ferramentas que mitigariam os riscos de tais iniciativas. Não por acaso, a letargia do passado parece motivar uma aceleração das iniciativas voltadas a facilitar os investimentos no exterior.     

 

Reconhecendo tanto a importância do tema para o crescimento econômico dos países em desenvolvimento quanto o seu dinamismo recente, o Pontes de maio oferece a você, prezado(a) leitor(a), um debate sobre os desafios para a implementação de um regime mais robusto para a facilitação de investimentos. Para tanto, publicamos contribuições de autores que discutirão os diversos níveis de análise relacionados com o tema – organizações intergovernamentais, Estados, iniciativa privada.  

 

E você, prezado(a) leitor(a), o que pensa sobre o assunto? Queremos ler a sua opinião: para tanto, deixamos o convite para que nos escreva um e-mail ou deixe seu comentário no site do Pontes. Da mesma maneira, abrimos espaço para que proponha temas a serem cobertos por nossa Equipe Editorial ou sugira ideias de artigo a serem aqui publicados.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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