Mercosul segue em negociações comerciais com UE e Coreia do Sul

18 September 2018

Com vistas a expandir suas relações comerciais, os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) prosseguem em fase de constantes negociações com seus sócios comerciais, tais como a União Europeia (UE) e a Coreia do Sul. Com a primeira, as negociações foram retomadas em 10 de setembro, em Montevidéu (Uruguai) – desta vez, em um contexto marcado pela aproximação das eleições presidenciais no Brasil e por turbulências econômicas na Argentina.

 

Diante dos poucos avanços obtidos, o comissário de Agricultura da UE, Phil Hogan, declarou que o bloco europeu já havia realizado “uma oferta clara e explícita” em janeiro e que os países do Mercosul eram os responsáveis pelo atraso em uma resposta para essa oferta “significativa” feita pelos europeus nos temas prioritários para ambos. Hogan foi contundente: caso queira um acordo comercial, o Mercosul deve cumprir os acordos relativos a automóveis e peças de veículos, serviços marítimos, produtos lácteos e indicações geográficas.

 

Do lado do Mercosul, funcionários do governo uruguaio que acompanham a negociação comentaram que, a cada vez que o bloco se aproxima do acordo com a UE, os europeus mudam suas condições para que se chegue a um consenso. Segundo eles, isso tem acontecido repetidamente, mesmo que o Mercosul tenha cedido em grande parte de suas ambições iniciais para o alcance do acordo comercial. O assessor do governo brasileiro Welber Barral concordou que o bloco não possui muito mais margem para concessões. Barral explicou que, no setor automobilístico, por exemplo, o Mercosul já cedeu em tudo o que podia – sobretudo na redução tarifária, que chegará a zero.

 

Para Ignacio Bartesaghi, decano da Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade Católica do Uruguai, o acordo previsto atualmente é muito diferente do que se vislumbrava quando o processo foi iniciado, há quase 20 anos. Bartesaghi defendeu que o Mercosul deveria ser “pragmático e entender que, embora se assine um acordo mais ‘light’ e com concessões, isso já seria um grande avanço, até mesmo para estimular outras negociações em curso no bloco, tais como com a Coreia do Sul ou o Canadá”.

 

Diante do cenário de dificuldades nas negociações entre a UE e o Mercosul, o bloco sul-americano iniciou uma rodada de negociações de alto nível, em 11 de setembro, em Montevidéu (Uruguai), com Coreia do Sul. A meta é alcançar um acordo comercial que poderia movimentar cerca de US$ 10 bilhões entre o bloco sul-americano e o país asiático. Os quatro países do Mercosul exportaram US$ 3,7 bilhões em produtos agrícolas e aço para a Coreia do Sul em 2017. Por outro lado, as importações chegaram a US$ 6,3 bilhões, fundamentalmente provenientes de produtos eletrônicos e veículos.

 

No Brasil, as negociações têm sido bem recebidas pelo setor agrícola brasileiro. A Aliança AgroBrazil – composta pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) e mais 15 entidades do setor agrícola brasileiro – defende a continuidade das negociações para um acordo de livre comércio com a Coreia do Sul. Em documento encaminhado ao ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, o grupo destaca o potencial daquele mercado e elogia o Ministério das Relações Exteriores na iniciativa para o acesso de mais produtos do agronegócio brasileiro ao país asiático.

 

Embora a Coreia do Sul seja o oitavo maior importador de alimentos do mundo, o Brasil ocupa a 11ª posição entre os países que embarcam itens agropecuários para aquele mercado – o que reforça a necessidade de obter um acordo para tentar aumentar as exportações.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

CNA. Agro defende avanços nas negociações para acordo de livre comércio com Coreia do Sul. (05/09/2018). Acesso em: 13/09/2018.

 

Exame. Com cenário conturbado, Mercosul volta a negociar acordo com a UE. (10/09/2018). Acesso em: 13/09/2018.

 

UOL. Mercosul e Coreia do Sul iniciam negociações para tratado de livre-comércio. (11/09/2018). Acesso em: 13/09/2018.

 

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