Oferta do Mercosul para UE sai nesta semana, diz Figueiredo

13 May 2014

A troca de ofertas entre Mercado Comum do Sul (Mercosul) e União Europeia (UE) sobre os termos para a criação de uma área de livre comércio "é uma questão de semanas, não mais de meses", garantiu o chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Em outra audiência pública, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, afirmou aos membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal que, até 13 de maio, o grupo terá uma proposta de liberalização do comércio para ser apresentada aos europeus.

 

O chanceler Figueiredo explicou que o acordo entre os dois blocos está em estágio bastante adiantado e que o objetivo é abranger 90% dos produtos comercializados internacionalmente. “Estamos na fase final da compatibilização das pautas dos países do Mercosul para podermos apresentá-la aos europeus”, relatou o ministro das Relações Exteriores aos deputados em 7 de maio.

 

Figueiredo não comentou detalhes das negociações, mas disse aos deputados que atribuir à Argentina o atraso na troca de ofertas – o que deveria ter ocorrido em dezembro – é "um mito" e negou atraso do lado sul-americano (ver Boletim de Notícias Pontes). O ministro Borges também defendeu os demais membros do bloco econômico perante os senadores em 8 de maio: “A Argentina cumpriu praticamente todos os produtos que ela se comprometeu a ofertar, e está praticamente concluída a oferta dela. Estamos finalizando com o Paraguai, e com o Uruguai faltam pequenos ajustes".

 

Segundo o ministro do MDIC, a proposta sul-americana será fechada na última reunião técnica em 12 e 13 de maio, em Caracas (Venezuela), e será apresentada em Bruxelas (Bélgica) até o início de junho. Borges ressaltou que o Mercosul não aceitará um acordo de livre comércio com a UE sem uma proposta agrícola efetiva. "Queremos vantagens claras", disse, destacando que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai esperam maior abertura daquele mercado para suas exportações agropecuárias. A Venezuela é membro do bloco, mas ainda não se juntou às negociações.

 

Os dois ministros também defenderam a importância do Mercosul, em resposta às críticas de deputados e senadores quanto à velocidade de integração do bloco e da falta de acordos bilaterais. O chanceler Figueiredo disse que a integração do grupo está mais adiantada que a recém-formada Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) e que o comércio no bloco continua crescendo. “O futuro da América do Sul será uma maior aproximação entre todos. Queremos uma América do Sul forte”, disse.

 

O ministro Borges afirmou que o governo brasileiro quer antecipar de 2019 para 2016 a criação de uma zona de livre comércio na América do Sul. “Não temos uma política tímida de aliança comercial, temos uma política de cuidados e efetiva”. Segundo o ministro, a proposta de antecipar o processo de desgravação aduaneira será apresentada na próxima semana, na reunião do Grupo Mercado Comum (GMC), na capital venezuelana.  Caso a proposta seja aprovada, o Imposto de Importação será zerado nas operações comerciais entre os países da região.

 

Reportagem Equipe Pontes

 

Fontes consultadas:

 

Câmara Online. Proposta do Mercosul para acordo com a União Europeia ficará pronta em semanas, diz ministro. (07/05/2014). Acesso em: 8 mai. 2014.

 

______. Ministro nega que Aliança do Pacífico esteja mais integrada que Mercosul. (07/05/2014). Acesso em: 8 mai. 2014.

 

O Estado de S.Paulo. Borges: Mercosul fecha oferta à UE na próxima semana. (08/05/2014). Acesso em: 8 mai. 2014.

 

Folha de S.Paulo. Acordo UE-Mercosul tem avanço, diz ministro. (08/05/2014). Acesso em: 8 mai. 2014.

 

MDIC Online. Ministro do MDIC fala sobre perspectivas do Mercosul no Senado. (08/05/2014). Acesso em: 8 mai. 2014.

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