Os limites da esperança

27 February 2015

À medida que se aproxima de seu desfecho, a administração Barack Obama vai deixando um sabor amargo para muitos de seus apoiadores. Dirão os críticos que a "esperança" vendida pelo ex-senador por Illinois não se traduziu em feitos concretos. O próprio mandatário, em diversas ocasiões, lamentou a dificuldade de implementar sua agenda ao longo dos oito anos de mandato. De qualquer maneira, o presidente dos Estados Unidos tem pressa. Conforme o recente Discurso sobre o Estado da União revela, Obama pretende deixar uma marca antes de desocupar a Casa Branca e, para isso, busca reforçar sua autoridade diante de um Legislativo dividido.

 

O tempo, porém, é curto. A atual administração sabe que os próximos meses não comportarão projetos com o grau de ambição sugerido por Obama ao ascender ao poder. Por isso, objetivos bem definidos têm sido anunciados. Na seara comercial, tal empreitada significa duas medidas concretas, diretamente relacionadas. Em um primeiro momento, o objetivo é a obtenção da Autoridade para Promoção Comercial (TPA, sigla em inglês) para que, a seguir, o presidente possa negociar os tratados comerciais que considera prioritários, especialmente a Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês) e a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, sigla em inglês).

 

Diante das limitações, as siglas enumeradas acima constituem material de sobra para a construção de um legado. Não por acaso, haverá considerável resistência para que o cenário dos sonhos de Obama se concretize. O presente número do Pontes apresenta a você, prezado(a) leitor(a), análises que buscam estimular um debate sobre as potencialidades e dilemas enfrentados pelo governo estadunidense nos meses que antecedem a abertura de um novo ciclo eleitoral do país. Como mostram os textos das páginas a seguir, entender aquilo que está em jogo constitui uma tarefa hercúlea. Afinal, por trás da construção de um legado estão a incontornável escolha dos princípios norteadores da ação exterior, potenciais conflitos distributivos e a complexa relação entre diplomacia e as estratégias desenvolvidas por grupos de interesse locais.

 

Antes de entrar definitivamente em 2015, entretanto, faz-se necessário um reconhecimento. Gostaríamos de agradecer a você, prezado(a) leitor(a), pela leitura atenta de nossa publicação e pelas ricas contribuições enviadas. Se existimos, é para oferecer artigos que sejam úteis a todos os que acessam nosso site e nossos canais de redes sociais. Ademais, se ao longo desses anos em algo melhoramos, é porque recebemos sugestões e críticas construtivas em nosso e-mail.

 

Esperamos que aprecie a leitura.

 

A Equipe Pontes

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