Proposta apresentada pelo Reino Unido à UE preocupa negociadores de Brexit

25 July 2018

As negociações da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), programada para 29 de março de 2019 (ver Boletim de Notícias Pontes), estão paralisadas desde a divulgação do White Paper pelo governo britânico. O documento foi divulgado em 12 de julho e define linhas gerais para as futuras relações comerciais do Reino Unido com a UE.

 

Com 98 páginas, o documento menciona a permanência do Reino Unido no mercado europeu de bens de consumo e produtos agrícolas, mas não prevê a continuidade das relações no setor de serviços – deixando, portanto, o setor financeiro fora do escopo do acordo. O texto apresentado pela primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, também menciona um “esquema facilitado de alfândegas”, que teria como objetivo fazer com que o Reino Unido e os 27 membros da UE funcionem com um “único território alfandegário”.

 

Para Dominic Raab, novo negociador-chefe do governo britânico, o documento permitirá dar continuidade a um comércio sem atritos e, ao mesmo tempo, evitar a imposição de controles desnecessários nas fronteiras do bloco europeu. Atendendo a uma exigência central dos negociadores da Comissão Europeia, Raab expressou que tal projeto pode ser a única maneira de evitar o fechamento da fronteira entre as Irlandas – tendo em vista que a Irlanda é membro da UE, ao passo que a Irlanda do Norte, não.

 

No entanto, o projeto defendido por Theresa May tem sido criticado por políticos britânicos e levou, no início de julho, à renúncia de dois importantes membros do gabinete de May: o então negociador-chefe do Brexit, David Davis, e o ministro do Exterior, Boris Johson. Este último era um dos defensores mais categóricos do Brexit mesmo antes do referendo popular realizado em 2016. Um possível Brexit mais “suave” desagrada a muitos conservadores ingleses, que acham que as propostas apresentadas pela primeira-ministra May fazem muitas concessões ao bloco europeu.

 

O cenário está gerando um clima de crescente preocupação para ambas as partes. Em um documento apresentado pela Comissão Europeia, são mostradas as áreas que seriam mais prejudicadas caso um “Brexit hostil” venha a se concretizar. As áreas mais afetadas incluem: aviação, alfândega, serviços bancários, segurança alimentar, comércio, indústria farmacêutica e pequenas e médias empresas. Caso o processo não culmine em um acordo benéfico para o Reino Unido e o bloco europeu, as quatro liberdades fundamentais da UE deixarão de ser aplicadas automaticamente em relação ao Reino Unido: circulação de pessoas, bens, serviços e capitais.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

Independent. What will the consequences of the new Brexit white paper be for the UK economy? (12/07/2018). Acesso em: 24/07/2018.

 

Marco Trade News. La UE alerta a sus miembros y a las empresas a prepararse para un Brexit sin acuerdo. (23/07/2018). Acesso em: 24/07/2018.

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