Semana de trabalho Mercosul-UE gera dúvidas quanto a um acordo até dezembro

14 September 2017

Os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da União Europeia (UE) finalizaram, em 8 de setembro, uma rodada de contatos técnicos, realizada em Bruxelas (Bélgica). Em meio às recentes expectativas quanto à finalização do acordo até dezembro, o tema de carnes e etanol pode criar entraves. Produtos agrícolas são considerados sensíveis do lado da UE, e sua abertura enfrenta considerável oposição por parte de grupos de interesse europeus.

 

O comissário europeu para Agricultura, Phil Hogan, considerou que será necessário que as partes troquem ofertas em áreas sensíveis até outubro para conseguir um acordo até o final do ano. A próxima rodada de negociações será em Brasília, entre 2 e 6 de outubro. Contudo, após a semana de trabalhos em Bruxelas, os negociadores afirmaram que os progressos se concentraram em apenas algumas áreas. Apesar disso, os resultados foram considerados positivos.

 

Durante a reunião, o Brasil insistiu que ofereceria uma oferta revisada de intercâmbio para a UE somente quando voltassem à mesa de negociações questões relativas à carne de novilho e etanol. Ainda, o país manifestou interesse em usar o açúcar como moeda de troca. Do lado europeu, Phil Hogan já havia mencionado, em agosto passado, que seria necessário que o Mercosul moderasse suas expectativas quanto ao comércio de carne bovina.

 

Para os grupos de interesse europeus, a abertura do mercado agrícola é especialmente problemática. Em abril de 2016, a França circulou um pedido para que as negociações fossem adiadas, apoiada por Áustria, Chipre, Eslovênia, Estônia, Grécia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Polônia e Romênia. Tais países consideraram que a abertura seria vista como “provocação” pelos agricultores da UE (ver Boletim de Notícias Pontes). Produtores irlandeses têm sido particularmente vocais em sua oposição (ver Boletim de Notícias Pontes).

 

Ademais, o Comitê das Organizações Profissionais Agrícolas e a Confederação Geral das Cooperativas Agrícolas da União Europeia (COPA-COGECA) apresentaram um documento de posição em que consideram que um acordo Mercosul-UE fará com que consumidores se tornem mais dependentes das decisões políticas e eventos climáticos no Mercosul. Também afirmaram que o acordo não diversificará as fontes de oferta para os consumidores europeus e, dessa forma, não os protegerá contra a volatilidade dos preços das commodities.

 

De modo geral, Brasil e Mercosul também resistem à abertura no comércio de serviços e produtos manufaturados, especialmente em áreas como o setor automotivo. Essa relutância pode significar que apenas uma abertura ampla do mercado agrícola europeu pode gerar o impulso necessário para a liberalização do setor de manufaturados do lado do Mercosul. Resta aguardar a nova rodada de negociações em outubro para observar os possíveis avanços de ambas as partes.

 

Reportagem ICTSD

 

Fontes consultadas:

 

La Vanguardia. Brasil dice a la UE que no "moverá ficha" sin propuesta sobre carne y etanol. (08/09/2017). Acesso em: 12/09/2017.

 

Político. Latin America may be where Europe’s trade luck runs out. (06/09/2017). Acesso em: 12/09/2017.

 

Sputnik Brasil. 'Protecionismo europeu' ainda trava acordo do Mercosul com a UE, diz especialista. (04/09/2017). Acesso em: 12/09/2017.

 

UOL Economia. Comissário espera que UE e Mercosul troquem novas ofertas em outubro. (04/09/2017). Acesso em: 12/09/2017.

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